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mais dias isabelinos

Ohhh…

ohhh… ok, ok.

ouvi uma maneira de falar rasteira que, do lado do silêncio, era tomar coragem para dizer um não depois de um não não dito? conversa descúmplice. isso não é nada, podias ter dito quando viste qual ia ser a sua reacção. o que ele te está a fazer é inaceitável, aceitares que to faça, torna-te o quê? compreende, já não posso confiar em ti. disseste-me, há duas semanas, que o íamos fazer, confirmaste todos os dias. e agora? hoje! está tudo marcado para amanhã… uma (a)final vida rasteira que mais do que ser dita baixo para não ser ouvida deste lado, é sussurrada para que o lado de lá entenda a dimensão da gravidade que faz essa falsa profunda necessidade que ninguém nos ouça, que ninguém saiba o que se está a passar. ali, ao telefone, no meu café.

e depois escrevi a minha lista do que podia estar a ser desmarcado. ohhh, não a vou divulgar.

Roy Lichtenstein, Ohhh… Alright…, 1964

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E hoje mata-se o quê?

O Largo da Portagem de Coimbra, do Joaquim António de Aguiar – Mata Frades assente em jardins não escanhoados, continua a albergar um Banco de Portugal. “Olha os gregos a assaltarem os bancos”, anunciava hoje uma alta (em saltos, pois…) funcionária de uma outra banca que, em asno regozijo, mostrava imagens no seu telemóvel maior do que o livro de bolso que não lê, o boletim de voto dobrado que não assinala ou a palma da mão que não estende. A democracia não pára de nos creditar esperança; os tempos (as pessoas?) não param de debitar-nos esperança.

A fotografia é do pai do Rui Pato. 

e ao sétimo dia…

… voltou. porque os sete dias dependem da nossa imaginação tanto quanto as sete chaves que quisermos (não) ver. é tempo de voltar sem descobrir diferenças e muito menos a chave.

quedar a queda

não se pára esta queda com outra queda. não se pára esta queda sem as devidas forças. não se pára esta queda se se parar nessa queda.

fotografia de Abbas Attar

saudades do futuro

em dia de finados… saudades do futuro. porque não recordo passado, nem vivo presente onde encontre bom senso, competência, talento, juízo, honestidade, bom critério ou vergonha.

e u são? 

257 anos depois, novo sismo e muita cisma

A 1 de Novembro de 1755 Lisboa é abalada por um sismo. A catástrofe leva Voltaire à escrita de Candide, ou l’Optimisme e a uma pergunta feita por Pangloss, na chegada a uma capital destruída: “Qual poderá ser a razão suficiente deste fenómeno?” Então como agora não sabemos responder. Então como agora as soluções dos sábios para a ruína do país são optimistas e de quem vive num melhor dos mundos que não o mundo dos que dirige.

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um orçamento que é uma forma de nos reduzir a vapor…

Uma das regras enunciadas por Foucault na obra “Vigiar e Punir” é a Regra da Certeza Perfeita, “aquilo que os juristas chamam “certeza da pena”: quem erra, deve saber preventivamente que será quase que certamente punido, e oportunamente seria, por outro lado, abolido o poder de graça, tradicionalmente reivindicado pelos soberanos”. Nestes dias em que a certeza perfeita é que eles sabem que estão a errar (até porque sabem que podem melhorar…) e sabem que não têm pena de certeza, fica o lamento por não os termos vigiado e a séria dúvida de ser possível puni-los quando (e se) sairmos desta nova prisão.

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bichos de (más) contas

saber fazer contas não é saber matemática. e nestes dias de debate de um orçamento de estado feito de contas de subtrair e dividir acrescento que quem só sabe fazer estas contas não sabe nem de matemática nem de humanidade.

 

sandy vs glinda

com um empurrão do furacão sandy que ameaça nova iorque (e a bolsa e o fmi…), regresso a histórias de bruxas e feiticeiros para perceber a nossa tempestade actual. aterro na desigualdade de géneros com as bruxas feias más velhas antipáticas e os feiticeiros sedutores elegantes inteligentes enigmáticos e agarro-me às verrugas, aliás, às excepções: o conforto das bruxas boas que as há. a do “feiticeiro de oz” chamava-se glinda, aqui chama-se renegociação. uma luta entre a refundação da sandy e a renegociação da glinda. que ganhe a boa.

depois não me espanta que tenha ficado como fiquei | episódio 11

último ano de dia livre para um trabalho de véspera que só pode ser feito em família e de preferência por irmãs. a limpeza do lado de lá do chão dos nossos antigos é limpar-nos abrasivamente do medo da queda presente.

Volver ao Almodovar…

sem saber para onde vamos, mas a ter de ir

um assustador título diz que 1,8 milhões de portugueses estavam em risco de pobreza em 2010 antes ainda da permanente sexta-feira 13 em que vivemos. e sabem, dizem que os gatos pretos não dão azar se não estivermos em jejum. mas é o jejum que é maior do que qualquer outro azar maior, por aqui.

You can’t always get what you want / And if you try sometime you find / You get what you need

o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque o que quero pode não ser o que preciso que até pode ser que não tenha e que posso até nem querer porque podem passar 50 anos entretanto.

Rolling Stones, fotografia de Jerry Schatzberg, 1966

troikas há muitas…

“Ich bin ein Berliner” já que hoje somos quem nos governa? A propósito de um não debate do estado da nação, mas antes do destroço da nação

heteropsicografia

Era de boa pessoa dizer que era má pessoa, certamente. E era por fingir (e tão completamente e tão verdadeiramente e tão apaixonadamente) que não era boa pessoa – porque era boa pessoa, certamente – que era… má pessoa. E os que o viam a ser a má pessoa que não era, só o viam porque liam o que eram e não viam o que não eram: boas pessoas, certamente.

há filmes assim. começam antes e acabam depois…

(resmungo de quem vê as campanhas publicitárias antes do filme começar e os genéricos até ao fim)

um refrigerante de limão com pouca limonada que num cruzamento entre o “Easy Rider” e o “Virgens Suicidas” garante um alemão Verão de ‘Ich Liebe Dich’ e é o mais próximo de um manifesto político que se consegue numa sala de cinema perto de nós, actualmente… um tablet transformado num tapete mágico que permite um mudar de vida (despedir-se em tempos de desemprego; conseguir vender a casa na altura dos incumprimentos vários; trocar o carro bom por uma carrinha de muito consumo em poucos quilómetros e evidentemente poluente) sem a boa fantasia de ser de fantasia que vivemos mil e uma noites. e um telemóvel que conhece tão bem os seus utilizadores que sabe que eles não estão ali  – “provavelmente não vais ver este anúncio até ao fim, vais para a net, para o chat, enfim, estás-te a caga… por isso, ‘bora lá directos ao assunto. … se quiseres, aproveit. se não, continua a ver anúncios”.

tudo precisamente antes de um daqueles filmes que deve mesmo ser visto até ao fim. mesmo depois do fim aparente. mesmo depois do fim. porque há sempre uma música que fica…

teremos sempre o cinema. o filme é que fica para amanhã…

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