e hoje cruzei-me novamente com o ​meu mais feio do mundo. tenho como provar: as fotografias dele nas nossas viagens de autocarro atestam uma feiura tal que nem pode aumentar. feio como um daqueles alienígenas mal abonecados no espaço 1999. pele encaracolada atapetada em fios de cabelos perdidos. olhos lateralizados em escape de um eixo vertical, enquanto procuram manter-se em buracos não simetricamente escavados. magreza de ossos doentes que repelem a pele. calças enroladas num excesso de pano que não disfarça a inadequação do tamanho (des)favorecido por tecidos de cor clara que vão sujar ainda mais a memória. e escrevo isto mesmo sabendo que isso do feio não tem de acompanhar isto do sujo e daqui a nada perigosamente vou aproximar-me da imagem da repulsa…  o meu mais feio do mundo não tem nome. só se tem nome para que nos possam chamar, mas ninguém lhe vai fazer isso. chamar. vai soar sempre a chamar-lhe alguma coisa. o meu homem mais feio do mundo é. e deve poder ser. só tenho receio que pensem que isso da fealdade é uma doença… ou arma de fogo.
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