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mais dias isabelinos

ou como de uma alma azul se escreve num caderno vermelho com o branco de Octavio Paz na tinta de um papel de jornal

encontrar uma editora à porta de casa, pensar de imediato no caderno vermelho (o meu, não o do Auster) que devo ter esquecido, mas o que interessa é confirmar se levo leitura para um qualquer momento vazio, enviar pelos substitutos dos CTT um livro que me espantou ser pesado já que foi leve e ouvir “escreve?”. responder, imediatamente, não. e começar a recuar. bem, escrevo, mas não escrevo bem. bem, escrevo, mas não é bem esse escrever. ora, escrevo. Continue reading “ou como de uma alma azul se escreve num caderno vermelho com o branco de Octavio Paz na tinta de um papel de jornal”

depois não me espanta que vá ficar assim

quanto tempo falta para chegar? como está o tempo? de que cor está a bandeira? já posso ir ao banho? mas… e se for só molhar os pés? dias de casas de lona às riscas, combates a tempestades com chapéus multicolores, toalhas perdidas em dilúvios inesperados, comida quente ou fria panada em areia e homens sentados num alto que (diziam) nos salvariam de morrer do/no mar na mesma altura em que (rezavam) um morrera para me/nos salvar. depois não me espanta que tenha ficado assim…. Continue reading “depois não me espanta que vá ficar assim”

adivinhar (d)o passado

Como esta coisa das férias é um conceito pós-moderno, e eu estou cada vez mais de outro tempo, navego por estes dias até ao Julio Verne do “tudo o que uma pessoa pode imaginar outras poderão fazê-lo na realidade”, recolho postais pré-futuristas, reescrevo o passado ao som de The Life Aquatic with Steve Zissou  e, espanto!, reciclo as Reader’s Digest onde aprendi que nunca se deve duvidar dos sonhos dos outros. Um destes dias sou uma pessoa crescida. a imagem é de um postal de cerca de 1900 a prever como seria o 2000.

 

a imagem é de um postal de cerca de 1900 a prever como seria o 2000.

ouviver

Um dos ou com que perdemos viver: ouvir ou ver? A imagem é de um dos estudos anatómicos de Leonardo da Vinci que não teve problemas com conjunções que serviriam para desnecessárias alternativas em ementas de restaurante, Continue reading “ouviver”

Genésis

Ao primeiro dia não repousou. E observa que isso será bom. Esperar os céus, desenhar a terra. Ter dia e ter noites. Separadas. Caminhar nas águas. Respirar a vegetação até lhe descobrir a cor. Plantar luzeiros que encaminhem até ao desconhecido, na aventura de uma escrita ainda não necessária. Continue reading “Genésis”

70’s “Sex and the City”

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“The country runs better with a good looking man in the White House. I mean, look what happened with Nixon; no one wanted to fuck him, so he fucked everyone.”

[Samantha / “Sex and the City”]

a imagem prova-me que às vezes influenciamos o passado; ninguém me convence que as quatro da fotografia do Garry Winogrand estão a discutir outra coisa que os problemas das sombras do Nixon!

You know how to pray, don’t you? You just put your hands together and blow [1]

William Cheselden

há uma reza que é soprar para o lado. não precisa da genuflexão, porque já é estar de joelhos… leva alma e corpo. a quem a faz e a nós.

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Listen very carefully, I shall say this… again.

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A personagem que representava a Resistência Francesa no ‘Allo ‘Allo! perguntava “are we alone?” no meio de um café cheio… Sim, responde-lhe um quero lá saber René. Estamos sozinhos numa Europa dita em valores alemães. Continue reading “Listen very carefully, I shall say this… again.”

Isto somos nós…

Paulozzi__large

No baile do “Por favor não me mordam o pescoço”, só aparecem no espelho os que não são vampiros. Na instalação do Michelangelo Pistoletto só é estilhaçado quem (distanciado) vê pelo espelho. Imagens para estes dias: novos (antigos?) vampiros estão a quebrar-nos e nós dançamos o seu baile…

put the blame on… movies [1]

The last few days, I’ve been learning not to trust people and I’m glad I’ve failed. Sometimes we depend on other people as a mirror to define us and tell us who we are and each reflection makes me like myself a little more.
ou de como aqui vamos continuar a confiar na escolha dos espelhos.
​My Blueberry Nights (Wong Kar Wai, 2007)

um domingo à tarde pouco europeu… Should I stay or should I go now?

“Darling, you gotta let me know / Should I stay or should I go? / If you say that you are mine / I’ll be there till the end of time / So you gotta let me know / Should I stay or should I go?
It’s always tease, tease, tease / You’re happy when I’m on my knees / One day is fine and the next is black / So if you want me off your back / Well, come on and let me know / Should I stay or should I go?

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o meu mais feio do mundo pode andar de autocarro?

e hoje cruzei-me novamente com o ​meu mais feio do mundo. tenho como provar: as fotografias dele nas nossas viagens de autocarro atestam uma feiura tal que nem pode aumentar. feio como um daqueles alienígenas mal abonecados no espaço 1999. pele encaracolada atapetada em fios de cabelos perdidos. olhos lateralizados em escape de um eixo vertical, enquanto procuram manter-se em buracos não simetricamente escavados. magreza de ossos doentes que repelem a pele. calças enroladas num excesso de pano que não disfarça a inadequação do tamanho (des)favorecido por tecidos de cor clara que vão sujar ainda mais a memória. e escrevo isto mesmo sabendo que isso do feio não tem de acompanhar isto do sujo e daqui a nada perigosamente vou aproximar-me da imagem da repulsa…  o meu mais feio do mundo não tem nome. só se tem nome para que nos possam chamar, mas ninguém lhe vai fazer isso. chamar. vai soar sempre a chamar-lhe alguma coisa. o meu homem mais feio do mundo é. e deve poder ser. só tenho receio que pensem que isso da fealdade é uma doença… ou arma de fogo.

Ohhh…

ohhh… ok, ok.

ouvi uma maneira de falar rasteira que, do lado do silêncio, era tomar coragem para dizer um não depois de um não não dito? conversa descúmplice. isso não é nada, podias ter dito quando viste qual ia ser a sua reacção. o que ele te está a fazer é inaceitável, aceitares que to faça, torna-te o quê? compreende, já não posso confiar em ti. disseste-me, há duas semanas, que o íamos fazer, confirmaste todos os dias. e agora? hoje! está tudo marcado para amanhã… uma (a)final vida rasteira que mais do que ser dita baixo para não ser ouvida deste lado, é sussurrada para que o lado de lá entenda a dimensão da gravidade que faz essa falsa profunda necessidade que ninguém nos ouça, que ninguém saiba o que se está a passar. ali, ao telefone, no meu café.

e depois escrevi a minha lista do que podia estar a ser desmarcado. ohhh, não a vou divulgar.

Roy Lichtenstein, Ohhh… Alright…, 1964

E hoje mata-se o quê?

O Largo da Portagem de Coimbra, do Joaquim António de Aguiar – Mata Frades assente em jardins não escanhoados, continua a albergar um Banco de Portugal. “Olha os gregos a assaltarem os bancos”, anunciava hoje uma alta (em saltos, pois…) funcionária de uma outra banca que, em asno regozijo, mostrava imagens no seu telemóvel maior do que o livro de bolso que não lê, o boletim de voto dobrado que não assinala ou a palma da mão que não estende. A democracia não pára de nos creditar esperança; os tempos (as pessoas?) não param de debitar-nos esperança.

A fotografia é do pai do Rui Pato. 

e ao sétimo dia…

… voltou. porque os sete dias dependem da nossa imaginação tanto quanto as sete chaves que quisermos (não) ver. é tempo de voltar sem descobrir diferenças e muito menos a chave.

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